Palhaços de ONTEM

Pimentinha

De onde é este palhaço: Itu - SP - Brasil

O MESTRE WALTER SEYSSEL: PALHAÇO PIMENTINHA.

Walter Seyssel – Palhaço Pimentinha – trabalhou ao lado de seu tio Arrelia, no programa da TV Paulista, canal 5, no ano de 1953 e depois foi para a TV Record, onde trabalhou durante vários anos. Ele foi dos tempos de ouro do circo no Brasil. Inaugurou uma época na televisão. Pertenceu a uma família que durante quatro gerações, viveu sob a lona. Pimentinha conta que é sobrinho do Arrelia, por parte de pai e Arrelia é 20 anos mais velho que ele, que lhe deu o nome de Walter. Pode-se dizer que Pimentinha nasceu no circo e que é a quarta geração de sua família circense, que se originou na França e se espalhou por diversos paises da Europa e veio para o Brasil. Nasceu em juiz de fora, correu o Brasil e morou em Itu até sua morte em 1993.

A primeira apresentação ao público, de cara pintada, foi aos dois anos de idade. Foi a vez de alguém anunciar, do alto do picadeiro. “Respeitável público, aqui vem Espirro!” E ali entrou o novo palhaço fazendo as trapalhadas que o pai, Paulo Seyssel, o Palhaço Aleluia do circo que ainda esta vivo, havia lhe ensinado. Dali em diante, todos os dias, ele subia no picadeiro, fazia brincadeiras e palhaçadas e depois ia dormir no colo da primeira moça que não tivesse ensaiado ou se apresentado. Ela o levava ate o camarim e entregava-o a sua mãe, Dona Leontina, que na época desfiava o trapézio.
E assim, aos poucos e quase que automaticamente, foi ensaiado. Inicialmente umas cambalhotas, mais tarde vieram o salto mortal e toda espécie de aventura.

Na vida real Espirro chamado de Valtinho ou então de Pimenta ou Pimentinha, de tão levado que era. Não aceitava apanhar de ninguém e mexia em tudo, até com os animais ferozes. Com Arrelia, Pimentinha começou a trabalhar desde cedo, no Circo Seyssel, que já havia sido do seu avô. Valtinho e Arrelia já trabalharam juntos até que, em 1952, os Seyssel e a população de São Paulo entraram em pânico: o circo entrou em chamas, debaixo do Viaduto Santa Efigênia. Daí então sua vida se complicou. Já casado com Amélia Rocha, mulher circense, aramista, comediante e cantora; um filho e outro para nascer, Pimentinha teve que se virar. Com Piolim e Arrelia, foi para a TV Paulista, canal 5. No ano seguinte, em 1953, Arrelia começou a trabalhar na TV Record, onde numa sala pequena, montou seu circo. E ali, entrou também o mestre do riso Pimentinha. Trabalhou até o ano de 1976, desenvolvendo diversas atividades na TV, onde fez papéis dramáticos e dublagens, marcando presença com facilidade em interpretar sotaques de diversas línguas, principalmente a chinesa. De 1976 a 1980, ele atuou em programas infantis da TV Cultura, contracenando com Torresmo.

Walter Seyssel faleceu em 1993, aos 68 anos na cidade de Itu, São Paulo.

CARACTERIZAÇÃO DO PALHAÇO PIMENTINHA

Um estilo bastante sofisticado, considerando um cômico “clown” de perfil clássico para o mundo do circo; usava um cone na cabeça, uma camisa amarela (estilo convencional), vestia calça com suspensório. A sua maquiagem revelava o quanto este mestre entendia a arte de fazer rir e os seus traços do rosto revelavam a tradição dos “clowns” clássicos europeus.

Texto é parte integrante de um projeto de pesquisa desenvolvido em 1997 por Luiz Rodrigues Monteiro Júnior sobre a história dos palhaços brasileiros, publicado pelo DACH – Departamento de Artes e Ciências Humanas da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Palhaço Pimentinha

Piolim

De onde é este palhaço: Ribeirão Preto - São Paulo - Brasil

Um breve relato sobre a vida de Abelardo Pinto: “Mestre Piolim”.

Abelardo Pinto, o famoso Palhaço Piolim. Nasceu em Ribeirão Preto, no estado de São Paulo em 27 de março de 1897. Abelardo Pinto viveu sua infância dentro do circo, envolvido nas mais diferentes atividades. Seu treinamento teve início desde muito cedo, e aprendeu as modalidades de ciclista, saltador, casaca de ferro, acrobata e contorcionista, tendo se destacado nesta última enquanto criança. Aos oitos anos de idade apresentava-se no circo de seu pai como “o menor contorcionista do mundo”. Mesmo obtendo sucesso, o menino Abelardo não gostava de suas exibições, como revela mais tarde em seu depoimento ao Museu da Imagem e do Som: “Com oito anos fazia um contorcionismo primário, que só criança pode fazer”.

Em entrevista dada ao Jornal Folha de São Paulo em 1957, diz:
“Não fui como os outros meninos, que entravam no circo por baixo do pano. Nasci dentro dele e levava uma vida que causava inveja aos outros garotos. Eu, do meu lado, tinha inveja deles. Eles tinham uma casa, tinham seus brinquedos comuns e podiam ir diariamente à escola. Eu começava a freqüentar um colégio e o circo se transferia. Lá ficava eu sem escola”.
Revela ainda ao mesmo jornal que seu sonho era ser engenheiro, queria construir casas, pontes, estradas e castelos. Construiu apenas castelos de sonhos de muita gente. “Sou, de qualquer maneira, um engenheiro e estou feliz com isso.”

O circo Americano estava sem seu principal numero: o palhaço havia ido embora. Então. O Sr. Galdino Pinto foi a São Paulo com o intuito de tentar conseguir um substituto. O filho Abelardo, diante dessa situação, resolveu assumir a profissão de palhaço e sobre essa decisão revela mais tarde – “Pensei: se ele fez, eu também posso fazer palhaçadas”.
A partir deste momento, o Circo Americano adquire um artista que seria, mais tarde, aclamado como “O Imperador do Riso”.

O “Palhaço Piolim” – apelido dado por uns artistas espanhóis que, ao verem o pequeno trabalhador Abelardo, diziam que ele parecia um “piolim” (barbante muito fino) – surgiu em 1918. Uma outra versão da história, contada pelo Jornal Folha de São Paulo, diz que o apelido foi devido a um favor que Abelardo fez ao um cômico e músico violinista espanhol que se apresentou com ele em um espetáculo beneficente da Cruz Vermelha: a corda do violino do espanhol quebrou-se em cena e Abelardo correu para o camarim e trocou a corda quebrada, substituindo-a por uma de seu próprio violino.

O espanhol, agradecido olhou para Abelardo e disse que ele se parecia um “piolim” (nome dado às cordas do violino). O menino aceitou o apelido e passou a ser chamado por ele. E seria com este apelido que, mais tarde, seria aclamado como um artista de grande importância na cena circense brasileira.
Circo Irmãos Rocha, que havia convidado o Palhaço Chicharrão para uma temporada, mas o artista estava envolvido com um contrato no Rio de Janeiro e não poderia aceitar o convite. Convidaram então o Piolim, que acabou assumindo o papel do palhaço excêntrico e enfrentando o público paulistano pela primeira vez e com muito sucesso. Em depoimento ao MIS, Piolim diz que Chicharrão foi um mestre para ele.

Uma característica do Mestre Piolim era o bom humor nas suas esquetes, segundo Maria Augusta da Fonseca:

“O ponto alto da verve gestual histriônica dos entremezes brincalhões, parece convergir, no Brasil dos anos 20, para a genialidade do Palhaço Piolim, a quem os modernistas de São Paulo prestigiaram e por quem tinham grande admiração”.

E destaca ainda a importância do circo que, segundo ela, “(...) não se resumia em fatos corriqueiros e de momento, mas se realizava no caráter social e estético, na criatividade e, principalmente, na figura do palhaço criada por Abelardo Pinto – Piolim”.

Na sua visão crítica, a genialidade de Piolim estava também na criação de um tipo psicológico universal e ao mesmo tempo caracteristicamente brasileiro:

“A comicidade de Piolim evoca na gente uma entidade, um ser. E de tanto maior importância social que esta entidade converge para esse tipo psicológico geral e universalmente contemporânea do ser abúlico, do ser sem nenhum caráter predeterminado e fixo, do ser ‘vai na onda’.***

* Maria Augusta da FONSECA. Palhaços da Burguesia. p.31

O cidadão Abelardo Pinto, “Sr. Piolim” revelou na longa caminhada de construção de sua obra, a habilidade autêntica de um comunicador. Em seus textos de cena (piadas), revelava ao público os traços de sua cultura e seus costumes do cotidiano. Satirizava os conceitos sociais impregnados na vida das pessoas. Construía um mundo a sua volta e este mundo percorria caminhos, mesclando-se com idéias dos indivíduos do povo. É notória sua participação no desenvolvimento intelectual e artístico de milhares de crianças e adultos brasileiros. Entre conversas e encontros com pessoas do circo, vislumbramos uma compreensão da história de vida do Palhaço Piolim.

Este mestre utilizava a palavra como veículo de suas idéias. Piolim, pelo seu grande e bom senso de humor, trabalhava os seus roteiros de cena de picadeiro, incorporando piadas baseadas em circunstancias da vida do homem comum. Picardias, envolvendo as características do mundo da infância. Encenava os sofrimentos dos homens, de maneira global, satirizando a máscaras sociais menos favorecidas (mendigos, bêbados, etc).

Piolim trabalhou anos seguidos para concretizar os seus sonhos que sempre estavam baseados nos ideais de sua tradição circense, sempre pensando no repasse destas tradições e métodos para adeptos do circo.

Pelo seu caráter de líder e artista, junto à associação do circo do qual foi um dos incentivadores, instaurou práticas de luta pela manutenção e perpetuação da linguagem circense, chegando a ser exemplo para toda a comunidade circense, através da sistematização de suas técnicas circenses, servindo de parâmetro, até hoje, para novos aprendizes.

A história das artes brasileiras mostra o papel deste homem. A transformação que provocou na época chegou num reconhecimento nacional, quando da Semana da Arte Moderna no Brasil, em 1922.
Mestre em varias modalidades, revelou um talento especial também para a música e, como ator, realizou diversos trabalhos. Neste momento, próximo do ano 2008, é possível ainda vislumbrar os ensinamentos preconizados por ele, nas artes cênicas, nas artes plásticas e nas artes corporais, sem falar de centenas de animadores de lazer cultural de Brasil que elegem traços das características de Piolim como ponto de partida para a busca da linguagem pessoal.

Desde cedo, Piolim já revelava sua capacidade de comunicador social. Foi um seguidor de suas tradições familiares, um incansável ator, sempre repensando junto ao seu público, os valores de sua época.
No ano de 1971, o Sr. Waldemar Seyssel, o Palhaço Arrelia, organizou um evento nacional e internacional*, que teve por objetivo homenagear Piolim com um “colarinho de ouro”. A vida de Piolim foi marcada por inúmeras homenagens, segundo consta nos documentos, assim como em vídeo que se encontram no Museu da Imagem e do Som de São Paulo e do arquivo do Jornal Folha de São Paulo.

* O evento foi promovido pelo Circo do Arrelia, em conjunto com a Associação dos Artistas de Espetáculos de Diversão de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo.

Piolim teve três filhos de dezesseis netos. Ele sempre dizia que ser palhaço no Brasil não era grande coisa em razão da falta de amparo.

O grande sonho de Piolim foi criar uma escola de circo. Não conseguiu ver seu desejo concretizado. Faleceu no ano de 1973, aos 76 anos. A escola foi aberta em 1978 e levou o seu nome. Quando morreu morava em um velho camarim de madeira, com pintura, roupas, onde passava o dia todo só, recordando épocas passadas no velho circo da Freguesia do Ó, onde durante muitos anos brilhou o Circo Piolim.

A CARACTERIZAÇÃO DO PALHAÇO PIOLIM

Piolim, figura lendária que por mais de cinqüenta anos reinou, com maestria, no “teatro do povo”. Sua caracterização foi sempre a mesma fisionomia, os mesmos traços físicos – vivos e sublimes. Sua indumentária era composta de um jaquetão maior do que o seu tamanho – bem exagerado, sapatos nº 84, bico largo e sua famosa bengala, que mais parecia um “anzol de pescar submarino”. Piolim, emergido de seu colarinho “impossível”, com a bengala há vinte e cinco anos, pela milésima vez repetia as velhas piadas que divertiram nossa infância. “O Namoro dos Sabiás”, cena tradicional de Piolim, um intérprete genial, sucesso há meio século, conforme acervo do Jornal Folha de São Paulo.

Pode-se dizer que a obra circense que Abelardo Pinto construiu é o seu palhaço. Em diversas pesquisas de campo, ao longo de 14 anos, nos deparamos com a figura de Piolim sendo interpretada por diversos animadores culturais. O lazer foi uma das fontes por nós, eleita para pesquisar as técnicas por ele preconizadas.

Texto é parte integrante de um projeto de pesquisa desenvolvido em 1997 por Luiz Rodrigues Monteiro Júnior sobre a história dos palhaços brasileiros, e publicado pelo DACH – Departamento de Artes e Ciências Humanas da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

Piolim

Arrelia

De onde é este palhaço:

Waldemar Seyssel nasceu em Jaguariaiva, Estado do Paraná no dia 31 de dezembro de 1905. Filho de família circense, tornou-se personagem marcante na cultura brasileira.

Arrelia

Carequinha

De onde é este palhaço: Rio de Janeiro - RJ

Numa noite de 18 de julho de 1915, na cidade de Rio Bonito, Estado do Rio de Janeiro, a aramista e trapezista Elisa Savalla, durante uma apresentação noturna no Circo Peruano, sente as primeiras dores do parto. O seu marido, Lázaro Gomes, em pleno picadeiro, pede para ela descer do arame. Assim, num barraco de circo, nasce George Savalla Gomes, mais conhecido como Carequinha. Logo após o parto, seguindo uma bela tradição circense, ele recebe dos artistas os primeiros dos muitos aplausos, que se tornariam uma constante em sua vida.

Carequinha

Torresmo

De onde é este palhaço:

Um dos palhaços mais populares do Brasil, Torresmo significou a história do circo e do humor no país. Seu nome na vida real era Brasil José Carlos Queirolo, nascido em Espírito Santo do Pinhal, Paraná. Filho de pai uruguaio e mãe argentina, sua vida inteira foi dedicada ao picadeiro. Cresceu em uma família tradicional de circo, os Irmãos Queirolo, e continuou a história do pai, o famoso palhaço Chicharrão. Artista de talento, foi denominado o Príncipe dos Palhaços, em 1923. Ele adoeceu, morreu e Torresmo deu continuidade ao seu trabalho.

Torresmo

Mazzaropi

De onde é este palhaço:

Imagine um Brasil em transformação, quando a cidade era o grande atrativo para várias pessoas vindas do interior. Um “caipira” que chega na cidade grande e se atrapalha com um mundo novo, cheio de coisas modernas mas, mesmo assim, atrai a todos com sua simpatia.

Poderia ser a história de quase todo palhaço, mas esse é o tema do filme “Jeca e o bode”, essa é a vida do jeca mais famoso do Brasil, o Mazzaropi.

Mazzaropi

Grande Otelo

De onde é este palhaço:

Sebastião Bernardes de Souza Prata não era carioca, como muitos podem imaginar. Era mineiro, nascido em Uberlândia, em 18 de agosto de 1915. Ganhou o sobrenome da família que o educou - Prata - até que ele resolvesse se aventurar no Rio de Janeiro e em São Paulo em busca de sua vocação: ser ator. Estreou no picadeiro: o circo precisava de um garoto para contracenar com o palhaço. "Eu me apresentei fantasiado de mulher grávida, com um travesseiro na frente e outro atrás, por baixo das roupas. Só esqueceram de me avisar que havia tiros na cena.

Grande Otelo

Dudu das Neves

De onde é este palhaço:

Eduardo Sebastião das Neves nasceu no Rio de Janeiro em 1874. Parece que tinha o dom de ser expulso: primeiro foi expulso da Estrada de Ferro Central do Brasil, onde, aos 21 anos, começou a trabalhar como guarda-freios. Saindo de lá, ingressou no Corpo de Bombeiros, de onde também foi expulso. Em 1895 tornou-se palhaço, poeta e cantor, com um repertório popular que variava entre cançonetas, chulas, canções, lundus e modinhas.

Dudu das Neves

Benjamim de Oliveira

De onde é este palhaço:

Benjamin de Oliveira, “o palhaço negro”, cantor, compositor, autor e ator. Nasceu em 1870, em Pará de Minas, Minas Gerais, Brasil. Nasceu, mas era filho de mãe escrava. Sua infância foi cheia de privações: “muitas vezes” - conta em suas memórias - “passávamos dias e dias comendo abóbora e fubá”.

Benjamim de Oliveira

Ronald Golias

De onde é este palhaço:

Está faltando muito pouco para esta página entrar em cena...

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